“SÓ CONTEI UMA HISTÓRIA” É A FALHA RECENTE NO TREINAMENTO DE MÍDIA. QUER EVITAR? CLIQUE PARA APRENDER COM OS ERROS DOS OUTROS, PRINCIPALMENTE DO PRESIDENTE DO STF

POR DENTRO DA MÍDIA, com Luciana Freitas.“Só contei uma história” é a falha recente no treinamento de mídia. Quer evitar? Clique para aprender com os erros dos outros e principalmente do presidente STF.” Questionado sobre o que o levou a pedir um aumento salarial para os ministros do STF, o presidente da corte, Joaquim Barbosa, preferiu contar uma “história” sobre a remuneração milionária de seus pares em Cingapura. “Não estou dizendo que nós no Brasil devamos ganhar US$ 1,5 milhão. Só contei uma história”, explicou.

ERROS CRUCIAIS NUMA ENTREVISTA À IMPRENSA GANHA MAIS UM ITEM: CONTADOR DE HISTÓRIAS

Fuja das situações:

1. Olhar para a câmera: Como a conversa é com o repórter, olhe diretamente para ele.

2. Ser prolixo: A dica é para ser direto e objetivo. Vá direto ao assunto, sem fazer rodeios, nem o uso de muletas linguísticas (com certeza, então, veja bem).

3. Achar que é algo pessoal: Entrevista não é ataque, portanto tente entender por que o repórter fez determinada pergunta e não se exalte.

4. Dar com a língua nos dentes e dizer algo diferente do discurso acertado com a instituição. Se não é hora de divulgar alguma informação, espere.

5. Pedir para ler a matéria antes da publicação. O jornalista precisa ter autonomia para escrever o que achar conveniente.

6. Contador de história evite esse papel para exemplificar ou comparar uma situação, com propósito de engrossar argumentos. Não faça nunca.

img_jornal195_ismaelOPINIÃO DO Cientista político Ricardo Ismael, professor da PUC-Rio

“Joaquim Barbosa foi retórico ao citar o salários dos magistrados do tigre asiático e justificar o pedido de reajuste. Não acho que o reajuste que Joaquim Barbosa propôs seja abusivo. Cerca de R$ 30 mil é um salário justo para a responsabilidade do cargo. Agora, a comparação não é cabível, porque as realidades (do Brasil e de Cingapura) são muito distintas. (A comparação) foi retórica para embasar seu pedido (de reajuste), mas é absolutamente dispensável”, concluiu.

 

 

 

 

 

 

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CONHEÇA A HISTÓRIA

Barbosa disse que, há três anos e meio, esteve em um congresso sobre cortes constitucionais em Heidelberg, na Alemanha, onde ouviu de um advogado do país asiático – um dos mais ricos e de regime mais fechado do mundo – que os juízes da mais alta corte de Cingapura ganham US$ 1,5 milhão por ano (R$ 3,4 milhões). Juízes de vários países presentes ao encontro, segundo o ministro, riram e duvidaram a resposta. O ministro contou que, no início do ano, recebeu a visita do ministro da Justiça de Cingapura, K. Shanmugan, e aproveitou para tirar a dúvida sobre o salário dos mais altos magistrados.
“Perguntei para ele (o ministro da Justiça): `É verdade que um juiz da Corte Suprema de Cingapura ganha US$ 1,5 milhão?’. A resposta dele: `Não, é bem mais. O presidente (da Corte Suprema) ganha US$ 2 milhões, os ministros ganham US$ 1,5 milhão’”, relatou Joaquim Barbosa aos jornalistas. “Fiquem com essa história. Ela é verdadeira”, encerrou.

DETALHES  DA PROPOSTA DE REAJUSTE SALARIAL

O chefe do Judiciário encaminhou na última quinta-feira à Câmara projeto de lei que aumenta o salário dos ministro do Supremo de R$ 28.059,29 para R$ 30.658,42. A justificativa foi de que era necessário compensar as perdas sofridas com a inflação. O pleito de Joaquim Barbosa é um reajuste de 4,06% sobre o salário que vai vigorar a partir de janeiro de 2014, de R$ 29.462,25. No fim do ano passado, o Congresso aprovou aumento de 15,8% para os ministros do STF, escalonado em três anos.