SALVEM O TIETÊ, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS !!!

ANDERSON MEIO AMBIENTE 03

O Projeto de despoluição do Rio Tietê, que corta quase todo o Estado de São Paulo, começou exatamente há 23 anos, com a aparição de um jacaré de papo amarelo, que a população batizou carinhosamente com o nome de Teimoso. Ele singrava de força corajosa as águas contaminadas pela poluição pontual, onde o foco era facilmente reconhecido. A emissão de poluentes, vinda de águas residuais e industriais, ganhava odor fedorento e efeito podridão também com a falta de coleta de lixo.

Quase duas décadas se passaram. E, os esforços para a despoluição já consumiram US$ 2,65 bilhões (o equivalente a R$ 8,2 bilhões, em valores atuais), entre investimentos do governo do Estado e de organismos internacionais. Agora, para que o rio deixe de ser considerado morto, principalmente no trecho que atravessa a capital paulista e parte da Grande São Paulo ainda serão necessários 10 anos de obras. Novos investimentos de cerca de R$ 4 bilhões.

Inicialmente, o projeto de despoluição terminaria em 2022. No entanto, o prazo foi estendido em mais anos. Em setembro de 2012, o governador Geraldo Alckmin chegou a anunciar que o rio estaria sem cheiro e seria habitado por algumas espécies de peixes em 2015. Óbvio que nada aconteceu e quem passa pela congestionada Marginal Tietê é testemunha ocular do fato: o rio continua sujo e com cheiro forte e desagradável.

A Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) garante que os objetivos do ProjetoTietê foram alcançados dentro do cronograma estabelecido. Diz ainda que a mancha de poluição do rio recuou 70% desde que o programa de poluição teve início, em 1992.  Ainda de acordo com a Sabesp, a empresa vai universalizar o tratamento de esgoto no interior até o fim deste ano.

É certo e verdadeiro afirmar que projetos de despoluição de rios costumam mesmo demorar décadas. Mas no caso do Tietê, ninguém sabe explicar a causa dos atrasos no cronograma paulista. Hoje o resgate da vida do nosso rio ganha um novo contorno importantíssimo. Principalmente para que o Estado de São Paulo ganhe um novo aliado para enfrentar a crise hídrica, que começou ano passado. Se o cronograma estivesse em cima, com o Tietê limpo e piscoso, sua água poderia ser bombeada pelo Rio Pinheiros, também poluído e irmão gêmeo em descaso e recuperação, para a Represa Billings.

Podemos afirmar que nestes 23 anos, houve mudança da lógica da sociedade em relação à década de 1990, quando o projeto verdadeiramente começou. Naquela época, era uma questão de deixar de ter vergonha do rio. Um pouco mais para a frente, o foco foi de integração do rio com a cidade. E agora, não resta dúvida é algo à frente: São Paulo precisa da água do Tietê para beber. Sendo curto e grosso, na regra básica jornalística: não dá para dizer que São Paulo não tem água. Temos sim, mas a maioria do líquido precioso sem qualidade. Para alcançar sucesso, os responsáveis pelo projeto precisam articular suas ações com projetos de coleta de lixo e tratamento de esgoto de diferentes municípios da Grande São Paulo. O pior dessa história é que as indústrias e residências da Grande São Paulo jogam e muito ainda seus esgotos sem tratamento direto no Tietê.

A degradação do rio começou na década de 1940, devido ao crescimento populacional de São Paulo e da instalação de indústrias que não tratavam esgoto na Zona Norte da capital paulista e em municípios da Região Metropolitana. A utilização do rio como um espaço de lazer e disputa de regatas perdeu espaço definitivamente após 1957, quando foram inauguradas as avenidas marginais.

A primeira fase do projeto Tietê, entre 1992 e 1998, consumiu US$ 1,1 bilhão. A segunda etapa, entre 2000 e 2008, custou outros US$ 500 milhões. A fase seguinte, de 2009 a 2015, foi orçada em US$ 1,05 bilhão. O objetivo desta etapa é elevar a coleta de esgotos na região metropolitana de 85% para 87% e ampliar o serviço de tratamento de esgotos de 78% para 84%. A quarta fase é orçada em R$ 4 bilhões e deve acabar em 2025, segundo a Sabesp. Tomara que o nosso destino de água límpida seja levado a sério. Precisamos do Tietê limpo para acabar com a sede e a garganta seca de cada um de nós. Salvem o Tietê pelo amor de Deus, antes que seja tarde demais!!!

ANDERSON MEIO AMBIENTE 02

ANDERSON NO POR DENTRO DA MIDIA 01