OUVIR EM TODAS ÀS ESFERAS PARECE SER UM PARADIGMA CADA VEZ MAIS DIFÍCIL. POR QUÊ ?

Educação e cultura devem estar juntas? Numa nova configuração ministerial a cultura perdeu seu status maior e se tornou uma pasta dentro da educação. Se já havia desconfianças das últimas ações do Minc, que não temos como negar é importantíssimo e faz muito por nossa cultura, com a entrada do interino presidente isso desanda de vez .

A cultura é um bem maior de um povo, de um país, ela mostra a nossa diversidade, pluralidade, nossas identidades. Faz parte da formação critica do indivíduo, liberta-o de preconceitos, constrói e reconstrói.

Dentro de um país que vai reconstruindo sua história, agora na era da informação com muito mais participação popular, fica impossível se tomar uma medida como acabar com um ministério tão importante e não sofrer represália.

Estudantes de todo o Brasil escrevem uma nova história com ocupações em prédios públicos, pedindo simplesmente para serem ouvidos. Em São Paulo estudantes ocupam o parlamento buscando uma investigação sobre desvio de merenda promovido por um grupo há vinte anos no poder e são presos, embora tenham obtido a aprovação de uma comissão para apuração do fato.
No Rio de Janeiro, Estado que parece estar se dissolvendo no ar; depois de uma longa ocupação, alunos da Escola Prefeito Mendes de Morais conseguiram à saída de uma só vez do secretário de educação e de seu chefe de gabinete.
O fato chama muito à atenção pois a falta de diálogo é tida como o principal problema dos dois administradores. Curiosamente, piora ainda mais quando o já nomeado novo secretário tem o mesmo perfil, é burocrata, não é professor, e já assume com reprovação da classe. Wagner Victer preside uma instituição de ensino técnico que passa por questões até piores de administração e agora vai acumular duas pastas bastante complexas. Ele tem um currículo realmente muito bom, passou por diversas instituições importantes e faz sua autopromoção muito bem, mas o que o governo parece não compreender é que a classe com a qual ele vai comandar já o desaprova.
A questão de apenas conseguir cargos para aliados causa esses entraves, geralmente são maus negociadores, pouco conhecedores de causas e unicamente entendedores de números frios.

Num momento em que a administração de um modelo que parece estar falido em todo o mundo, o diálogo é a forma de mudança. Executivos precisam ouvir, instituições precisam dialogar, a aldeia global não é um condomínio simples de se administrar porque cada apartamento tem a sua necessidade e formação específica.

A sociedade precisa participar das decisões que fazem parte de sua vida. E ela está cada dia mais preparada para questionar.

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Biografia
Plínio Marcos de Barros (Santos SP 1935 – São Paulo SP 1999). Autor. Renovador dos padrões dramatúrgicos, através de enfoque quase naturalista que imprime aos diálogos e situações, sempre cortantes e carregados de gírias de personagens oriundas das camadas sociais periféricas, torna o palco, a partir dos anos 1960, uma feroz arena de luta entre indivíduos sob situações de subdesenvolvimento.

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