JUNTOS: Goulart de Andrade, Fernando Meirelles, Marcelo Tas e Marcelo Machado, especial CONVERSA SÉRIA E DIVERTIDA, com Sandra de Angelis

A desconstrução da TV pela via da inteligência

POR DENTRO DA MÍDIA, com Sandra de Angelis

download (73)Um banho de gente inteligente, séria e divertida. Foi esse o extrato do evento desta quinta-feira no Sesc Pompeia, que faz parte do 18o. Festival de Arte Contemporânea Sesc Videobrasil.Os convidados na noite foram Goulart de Andrade, Fernando Meirelles, Marcelo Tas e Marcelo Machado, que contaram com a mediação de Gabriel Priolli.

Na pauta,  o atrevimento de outrora dos ‘garotos’ do Olhar Eletrônico que ousaram na linguagem da TV, até mesmo porque nunca tinham feito TV, sob a batuta do maestro Goulart de Andrade, que desde os idos de 1955 já fazia da TV o seu jeito de ser repórter.  A exibição de cenas primorosas de cada um deles na década de 1980 abriu o evento e contextualizou o público jovem presente.

 

As cenas

 A estreia dos meninos na TV Gazeta, onde o veterano Goulart de Andrade dava as primeiras aulas para aqueles ‘peraltas geniais’, mostra um mix de timidez e total falta de noção do que estavam fazendo. Celebridade do cinema nacional, Fernando Meireles aparece sendo dirigido ao vivo e orientado a virar repórter em tempo real na TV Gazeta. O atrevimento do repórter Ernesto Varela, personagem antológico encenado por Marcelo Tas na inesquecível entrevista com o deputado Nabi Abi Cheddid precisou de uma legenda de História, prontamente apresentada por Tas. Na época o deputado era vice-presidente da CBF e proibiu os jogadores da seleção brasileira de falar sobre política, em uma disputa no México. Um vídeo com depoimentos desconcertantes de moradores de rua, com edições também inusitadas abriram a noite. Para quem não tinha visto, um estímulo instigante, para quem conhecia, um deleite.

 Linguagem da TV

 marcelo_tasPatrocínio X liberdade de imprensa – “Hoje o CQC tem mais restrições em Brasília do que o Ernesto Varela tinha no fim do governo militar.  O Lula não dá entrevista para a imprensa, a não ser para as mídias dos sindicatos ou os blogueiros pagos pelo governo.

As tentativas de bloquear as expressões são grandes, mas as possibilidades de expressão são inúmeras. É preciso ser criativo.” – Marcelo Tas

Ontem X hoje – “Antes era muito mais fácil coletar expressões espontâneas porque não tínhamos o risco de sermos coibidos pelos advogados. Essas restrições afetam a criatividade. Como é que eu posso ser inusitado, se tem aquele papel de autorização de uso de imagem…? – Fernando Meireles

 

TV de hoje X de amanhã – “A água bateu na bunda da TV porque começamos a ver muitas “telas”…e cada vez mais, menos gente vê TV. Temos mais liberdade, mas depende da nossa criatividade” – Marcelo Tas.  

 

TV de hoje X TV de ontem – “Antigamente não tinha vídeo tape, fazíamos tudo ao vivo, trabalhávamos com um relógio mental e éramos felizes. Depois veio o vídeo tape e usávamos um microscópio para montar a fita editada e éramos felizes. Para onde vamos? Enigma! A TV se  propõe  a uma evolução tecnológica, mas se fragiliza como veículo quando vende espaços inteiros para igrejas ou programas de vendas de varejo…Hoje montam um caldeirão que impede a gente de raciocinar em relação ao que será, mas ao mesmo tempo há novos mercados e veículos para você colocar o seu conteúdo. E o que vale ? Onde você vai colocar isso ? Ora…o que me importa é produzir conteúdo como jornalista. O veículo é que vai abraçar o conteúdo, pois o ser humano não pode ficar sem informação – Goulart de Andrade

 

Liberdade de imprensa X patrocínio

download outraQuestões como o poder do patrocínio sobre a mídia foram levantadas pela plateia, mas especialmente para Marcelo Tas, à frente do CQC, contrapõe a tese com fundamentação cabal. Quando o programa tinha apenas um patrocinador,  estava mais sujeito à pata pesada do poder, inclusive do PT, que tentaram nos calar. Quando começamos a ter mais anunciantes, ganhamos mais autonomia. Se você não tiver anunciante, pode dançar… Chega um deputado amigo do dono da emissora e manda tirar o programa do ar…se ele não dá lucro, foi-se…!”

 

Sandra de Angelis

sandraJornalista formada pela Fundação Cásper Líbero, atuou como repórter, editora, produtora e coordenadora em alguns dos principais veículos de comunicação do país (Ed. Abril, TV Cultura, Record, Bandeirantes, SBT, Revista Manchete, TV Manchete, Gazeta Mercantil, Promocat, etc.) a partir de 1976. Desde 1996 dirige a empresa Edge Mídia, dedicada à consultoria e desenvolvimento de projetos em Gestão da Comunicação e voltada para o segmento corporativo.

CONTATO https://www.facebook.com/sandra.deangelis?fref=ts

1 comentário

  1. Patricia outubro 18, 2013 12:53 pm 

    Matéria muito boa. Comparar o governo do PT com o governo militar é bastante significativo. Mostrar a censura deve ser um alerta a quem nasceu depois da década de 70. Parabéns!

Comentários estão fechados.