EM PAUTA: BRASIL E A LIBERTINAGEM QUE VAI DA CORRUPÇÃO A MELHORA ECONÔMICA

O Brasil caiu três posições na lista mundial da ONG Transparência Internacional. Inicialmente parece positivo. Mas na verdade pioramos. Isso porque a lista começa pelos países “mais limpos” e vai decrescendo para os mais corruptos. São 177 Nações pesquisadas. Na análise anterior estávamos na posição 69 e hoje baixamos para a 72.

Se formos analisar melhor os índices, ficamos com 42 pontos. Detalhe: a escala vai de zero (o mais limpo) a 100 (o mais corrupto). Índices semelhantes à Bósnia, São Tomé-Príncipe, Sérvia e África do Sul. Estamos atrás dos vizinhos Uruguai e Chile, além Costa Rica, Ruanda e Turquia.

Mas o que chama a atenção da posição do Brasil neste ranking é que o país vem de uma escala de melhora econômica no cenário mundial, ou seja, somos uma das economias emergentes mais importantes do mundo. Países muito mais pobres e menos desenvolvidos estão muito mais “limpos” do que nós. Isso mostra que a corrupção não é fruto da falta de dinheiro ou condição social.

É mesmo uma questão de caráter. Então isso quer dizer que falta caráter na população brasileira? Não chega a tanto. Mas há uma “libertinagem” em nossos valores. Vamos dar um exemplo. Quantos criticam os “mensaleiros” e vibraram com suas condenações? Será que neste grupo não estão pessoas que já pagaram um despachante para facilitar a burocracia?

Nunca deu um trocado “para uma cervejinha” a um servidor público lhe atender mais rápido ou furar uma fila? Deu um “agrado” ao guarda para escapar de uma multa?

Pois é. Se queremos ser um país mais “limpo” temos que começar pelas pequenas faxinas. Não sei se a questão é de graduação (delito mais grave ou menos grave) ou de falta de oportunidade. Lembro que a moralidade é elástica. Você vai fazendo pequenas concessões que vão aumentando gradativamente até chegar a um grande crime.

Claro que isso não representa toda a população. Uma minoria é corrupta. Mas a maioria é, pelo menos complacente ou negligente. Poucos denunciam, fiscalizam ou cobram posturas mais “limpas”. Quem pesquisa o passado de um candidato para cargos legislativos (vereadores, deputados e senadores)? Quem anota suas promessas? Quem analisa as propostas, ideias e posturas deles? E quem fiscaliza e cobra seus atos depois de serem colocados por nós nesses cargos públicos? A verdade é que muitos nem lembram em quem votou para esses cargos.

download-81Luiz André Ferreira – Mestre em Projetos Sociais e mestre em bens culturais pela FGV, tem a coluna: Em Pauta, no Por Dentro da Mídia, que é um para que todos possam contribuir com o que realmente merece ficar em pauta. A mobilização da sociedade e do jornalismo construtivo.

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