HOMEM PÚBLICO TEM QUE REPETIR AQUILO QUE LHE PARECE ÓBVIO

COMUNICAÇÃO, DEMOCRACIA E PODER

Certa vez ouvi uma frase que nunca mais me saiu da cabeça: repita, minha filha, sempre o óbvio. O que é deduzível para você pode não ser para o outro. E assim, as pessoas deixam de falar aquilo que lhes parece óbvio. E o que não é dito não é compreendido, nem apreendido. Nem comunicado. Bom, óbvio? Não.

Temos exemplo paulistano

Fernando Haddad aumenta o IPTU, limita sem opções a circulação de carros e entra em cena, mas diminui o incêndio político nos opositores. Parece obviedades. E lá vem o resultado: com a popularidade em baixa ao fim do seu primeiro ano de governo, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, utilizou discurso durante evento do PT-SP na noite da última segunda-feira, 09, para alfinetar críticos de sua gestão na cidade. "Não custa lembrar que em 2003 alguns companheiros deixaram o PT, apenas no primeiro ano do governo Lula, que terminou seus oito anos de governo com 85% de aprovação", disse  Haddad aos jornais.

Fernando Haddad aumenta o IPTU, limita sem opções a circulação de carros e entra em cena, mas diminui o incêndio político nos opositores. Parece obviedades. E lá vem o resultado: com a popularidade em baixa ao fim do seu primeiro ano de governo, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, utilizou discurso durante evento do PT-SP na noite da última segunda-feira, 09, para alfinetar críticos de sua gestão na cidade. “Não custa lembrar que em 2003 alguns companheiros deixaram o PT, apenas no primeiro ano do governo Lula, que terminou seus oito anos de governo com 85% de aprovação”, disse Haddad aos jornais.

Por isso vou discorrer sobre o tema que proponho no título. A informação é um dos bens mais valiosos que a pessoa pode ter. Ter informação é ter poder. O detentor das notícias, dos dados, pode ser tornar o mais poderoso em sua esfera de relacionamento e sobre o tema ao qual ele tem essas informações. O presidente de uma empresa, por exemplo, é nele que se concentra tudo o que acontece na corporação. É ele o eixo principal de todo o funcionamento da máquina corporativa, de todas as áreas. E é por isso que é ele quem tem a competência, única e indiscutível, da tomada de decisão. O poder do presidente está intrinsecamente ligado às informações que ele concentra. Se esse poder for repartido por um conjunto de pessoas, quando se democratiza a informação, mais atores podem participar da tomada de decisão. Eles começam a ter competência para isso. Empodera-se mais pessoas. É a comunicação a serviço da democracia, democratizando o poder. 

Para ilustrar ainda mais, semana passada estava lendo sobre o apagão que ocorreu na Venezuela e que deixou metade do País às escuras. O Executivo Nacional tratou rapidamente de creditar o caso a algum tipo de boicote da oposição. Ora, me parece muito mais um caso de incompetência e falta de gerenciamento do Governo atual do que um programado ataque de qualquer força inimiga. Se lembrarmos, a Venezuela enfrente uma crise no setor energético desde 2010 e já passou por diversos racionamentos de energia. Ou seja, a informação deturpada ou mentirosa, nesse caso que levanto, distância as pessoas e confunde o cidadão.

Usa-se a comunicação como fator de antidemocracia, como escudo do poder que se tem. E é isso o que gostaríamos de ver o Governo fazer. Repartir as informações, participar as pessoas do seu poder. Ouvi-las mais porque, sabendo o que acontece, podemos ter a competência para também tomar e cobrar decisões. Para compartilhar, sugerir, apoiar ou mesmo criticar. Mas com a consciência do poder da informação a serviço da democracia.

Esse é, sem dúvida, o maior desafio do Estado Moderno: usar a comunicação para o bem da população, a serviço da democracia e como divisor de poder. Assim, espero não ter de repetir inúmeras vezes o óbvio. Que a democracia é o governo do povo. Que é dele que emana o poder e não o contrário. E é a ele que devemos disponibilizar todas as informações. 

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CLAUDIA CARLETTO – Consultora em comunicação participa do site com a avaliação e aproximação do que é a comunicação pública. Comunicação Pública, com Claudia Carletto, uma vez por semana, no Por Dentro da Mídia – Comunicação Pública

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