BOB LESTER MORREU NA SEXTA. SENHORAS E SENHORES…ELE É O SHOW !!!

Senhoras e senhores… Bob Lester é o show!!!!

Bob Lester morreu na sexta dia 6 no Rio aos 102 anos.

Broadway, Cassino da Urca, Copacabana Palace e espetáculos em mais de 26 países … e o palco agora: badalado Posto 9, em Ipanema, no Rio de Janeiro. Um artista renomado e secular, hoje apenas um “velhinho elétrico”, que chama atenção, ao imitar Michel Jackson na areia quente e escaldante. A apresentação, antes para presidentes e chefes de Estado, nos dias atuais, sem cortinas de azul acetinado e seleta platéia, termina com o chapéu passado. Cachês milionários nas décadas de 30,40 e 50, cedem lugar aos trocados e as moedas. Ele ainda é o show e sabe que o espetáculo não pode parar. Ele é Edgar de Almeida Negrão de Lima, o Bob Lester, como prefere ser chamado, já que foi reconhecido internacionalmente no showbisness de Sinatra a Gardel. Lester está com 102 a 103 anos de idade – mas mostra seus dotes artísticos dando um baile nas adversidades, ao sapatear, em um exemplo de superação do experiente artista que, em sua época de ouro, brilhou ao lado de renomados astros internacionais como Fred Astaire e Doris Day, após integrar durante 17 anos o grupo “Bando da Lua”, de Carmem Miranda.

Bob Lester lembra constantemente com saudade dos tempos áureos da fama.- Depois de morar 17 anos nos Estados Unidos, com a morte de Carmem, voltou ao Brasil. Mas logo foi para a Argentina, onde conheceu e ficou amigo de Carlos Gardel. Fez turnê com a Dalva e o marido dela ( Herivelto Martins), ícones da Era de Ouro do Rádio. Com o fim do contrato, foi para o México e de lá para Portugal, quando começou carreira na Europa.

Nascimento

Nascido em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 19 de janeiro de 1913, chegou pequeno ao Rio de Janeiro, com a transferência de seu pai, um capitão de coverta da Marinha. Bob lembra quando após ser gongado, não se intimidou e depois passou com nota 10 no show de calouros de Ary Barroso e voltou ao Rio Grande do Sul, onde tinha um programa semelhante que fazia sucesso no Sul. Uma de suas calouras – aos 12 de idade – foi nada mais nada menos que Elis Regina. Lester percebeu o talento da menina e a apresentou imediatamente, quatro anos depois, a diretores de TVs do Rio de Janeiro e da TV Record em São Paulo.

Após sair do país para acompanhar a glória da pequena notável, conheceu Frank Sinatra e grandes personalidades da música norte-americana. Mudou seu nome artístico para Bob Lester por uma sugestão do astro Bob Hope. E Bob Lester não parou mais…

Mesmo morando fora do país, Bob Lester casou e teve duas filhas. Durante 24 anos manteve o casamento e sua casa, na Rua Antônio Basílio, na Tijuca. E, justamente uma viagem feita por sua família, segundo ele, foi o que acabou com a sua vida.Em 1964 um acidente de carro, no município de Lajes, em Santa Catarina, fez três vítimas fatais. As duas filhas de Bob Lester, de 17 e 22 anos, e sua mulher. Mas, amigo íntimo da família Guinle e companheiro de farra do playboy mais assumido do país, Jorginho Guinle, chegou a morar oito anos, de graça, no luxuoso Copacabana Palace. Com a falência e a venda do hotel, quase voltou para as ruas.- O Roberto (a quem trata com intimidade, trata-se do rei Roberto Carlos) paga o meu quarto aqui no Centro. Se não fosse ele, estava na rua. O Timóteo (Agnaldo Timóteo) também me ajudou muitíssimo – disse Bob Lester. De volta à Copacabana, não mais como morador, e sim, mais um dos artistas de rua que se apresentam no charmoso bairro carioca, Bob diz que sobrevive e que ainda pretende voltar aos palcos.

Ainda é Show

Os sapatos esgarçados, usados ainda hoje em suas apresentações de rua, assim como as luvas brancas e uma bengala dourada, foram presenteados por Fred Astaire, após o sucesso do filme Dançando na Chuva. Seus poucos pertences, guardados carinhosamente em acanhado quarto no Centro de Niterói, contrapõem-se com uma rica história e trajetória no mundo da música e da glória. Sempre agarrado à pasta velha com reportagens e fotos da época, como uma forma de lembrar uma vida que não tem mais, ele não desiste nem da vida. Sabe que o Show deve sempre continuar… Senhoras e Senhores… as cortinas do tempo se abrem agora para sempre ao grande artista… com vocês: Bob Lester !!!

bob lester

Na foto: Da esquerda para a direita é o Anderson França (colunista do PDM). Bob Lester no centro e Figueiredo Jr ( Super Rádio)