APRESENTAÇÃO QUE DEIXA O PÚBLICO NO ESCURO PROMOVE OUTROS SENTIDOS

 Elenco: Bruno Righi, Giovanna Maira, Manoel Lima, Paulo Palado, Sara Bentes, Sérgio Sá. Atores standing: Neli Gamboa e Leonardo Santiago

Elenco: Bruno Righi, Giovanna Maira, Manoel Lima, Paulo Palado, Sara Bentes, Sérgio Sá.
Atores standing: Neli Gamboa e Leonardo Santiago

No espetáculo do Teatro Cego com O Grande Viúvo, peça de teatro baseada no conto homônimo do escritor e jornalista Nelson Rodrigues e parte do livro A Vida como ela é. O ator, escritor, dramaturgo e diretor MANOEL LIMA dá vida ao personagem Alcides, patriarca da família, tem seu filho que ao ficar viúvo, e que logo após o falecimento de sua esposa, avisa aos familiares, que também deseja morrer e ser enterrado ao lado de sua falecida. Enquanto seu filho o viúvo busca meios de construir um mausoléu para o casal ficar junto por toda eternidade, a família se empenha na tarefa de convencê-lo a desistir do suicídio. O espetáculo leva ao público uma experiência estética baseada em todos os sentidos, sem o estimulo visual, a apresentação é em um espaço totalmente escuro, atores cegos e não cegos encenam, o publico segue a narrativa sem enxergar absolutamente nada, aparados pelos sentidos  da audição, olfato e tato. 

MANOEL LIMA, QUEM NÃO VIU, NÃO PODE DEIXAR DE NÃO VÊ-LO NO TEATRO CEGO COM “O GRANDE VIÚVO” DE NELSON RODRIGUES

MANOEL LIMA, QUEM NÃO VIU, NÃO PODE DEIXAR DE NÃO VÊ-LO NO TEATRO CEGO COM “O GRANDE VIÚVO” DE NELSON RODRIGUES

DE ATOR PARA ATOR

Evan Aires – Manuel Lima todo ator monta um espetáculo para ter o reconhecimento do público. Como é apresentar este estilo, no escuro pra valer e como é a experiência de trabalhar com atores com mobilidade reduzida na visão?

Manoel Lima – Então meu caro Evan Aires, o teatro, desde seus primórdios, sempre foi um espetáculo para ser visto. É uma somatória de cenário, figurinos, luzes, sons, objetos e principalmente os atores com suas personagens e desempenho. Até bem pouco tempo se diria impossível de acontecer um espetáculo teatral em completa escuridão do princípio ao fim. Atuar no “breu total” acabou sendo tranquilo depois de todos os ensaios que fizemos. No início às claras, depois com máscaras e finalmente na escuridão. Isso para os videntes, porque os deficientes visuais não sentem dificuldades, pois o escuro é o ambiente natural deles. Trabalhar com atores com a visão reduzida ou total é outra experiência incrível. São talentosos, divertidos e generosos com os colegas de trabalho. Ah! No teatro cego todas as personagens são videntes, enxergam.

Evan Aires – Quando assisti “O Grande Viúvo” fiquei impressionado como os meus sentidos foram aguçados, foi uma sensação incrível, tem uma cena de café da manhã que me senti numa fazenda. Como é sentir que o público está respondendo e entendendo, sem enxergar nada?

Manoel Lima – Bem, o espetáculo teatral, de uma forma geral, além de divertir deve transmitir uma mensagem e fazer o público pensar. O formato Teatro Cego vem com propostas que vão muito, além disso, como: inserir pessoas com deficiência visual no mercado de trabalho teatral, atores, músicos e até mesmo na produção. Fazer com que o público em geral tenha uma maior proximidade com o mundo dos deficientes visuais, ou seja, sinta-se durante 60 minutos como se fosse um deficiente visual. Mostrar para todos  o quanto valorizamos o sentido da visão em detrimento dos outros sentidos, ou seja, fazer o público entender que temos outros sentidos tão importantes como o da visão.

No nosso espetáculo valorizamos muito a audição, o olfato, o tato, paladar e até mesmo a intuição. A resposta de público tem sido a melhor possível. Ficam encantados com as sensações experimentadas, como o café da manhã e as demais surpresas que só estando lá para verem. Isso sem falar na trilha sonora que dá um toque todo especial e faz a marcação das trocas de cena, como se fosse à mudança do cenário.

Evan Aires – Eu ri muito com você em cena, o seu personagem Alcides tem um jeito todo Nelson Rodrigues, cético e um pouco sarcástico. Como foi para você criá-lo?

Manoel Lima – Nelson Rodrigues é formidável não é mesmo. Suas personagens são vivas, existem e estão por ai nas esquinas da vida. Bem, fizemos um trabalho intenso de mesa durante 30 dias, principalmente das discussões sobre cada personagem. Então foram tantas as informações que de repente o Alcides estava ali, vivo e pronto para o palco. Fazer o Alcides acabou virando um divertimento pra mim.

Evan Aires – No ano passado o “Teatro Cego com O Grande Viúvo”, de Nelson Rodrigues percorreu vários teatros, nesta semana vocês estarão em em Brasília. Conte mais sobre a trajetória do espetáculo?

Manoel Lima – Na verdade estreamos em 12 de junho de 2012 na cidade de São Paulo no Tucarena, ficando em cartaz por dois meses. Continuamos na capital Paulista e depois fizemos uma temporada na Sala Crisantempo, também de aproximadamente dois meses.

Em 2013 fizemos uma segunda temporada no Tucarena, depois Itau Cultural, Sala Crisantempo, Fábrica de Cultura do Jaçanã, Sesc Pompeia, Sesc Campinas e Sesc Belenzinho.

Agora em 2014 temos um espetáculo no CCBB de Brasília no dia 26/01, que por enquanto é o único já agendado. Mas devemos continuar nos apresentando, sem duvida.

Evan Aires – Para fecharmos a nossa entrevista, não posso deixar de perguntar: quais são os seus próximos projetos para este ano?

Manoel Lima – Pretendo continuar com a Caleidoscópio atuando nos espetáculos do Teatro Cego, claro. Além disso, estou ensaiando o monólogo NUTURNOS DE CHOPIN, baseado na obra de Pedro Bloch AS MÃOS DE EURÍDICE, adaptada por Grego Deftéreos que também fará a direção do espetáculo. Quero dar continuidade a dois livros que estou escrevendo, desenvolver uma outra peça, cujo o tema já venho desenvolvendo nos momentos livres e, quem sabe, finalmente produzir o meu curta, que eu também desenvolvi o roteiro – chamado de: O HÁBITO.

 

EVAN001MANOEL LIMA EM “O GRANDE VIÚVO” DE NELSON RODRIGUES

  • CCBB DF – SCES Trecho 02, Conjunto 22 – Asa Sul, Brasília – Distrito Federal, 70200-002
  • Demais informações ligar no telefone: (61) 3108-7600
  • Quando: domingo, 26 de janeiro às 20h00.
  • O Teatro Cego é uma produção da: CALEIDOSCÓPIO COMUNICAÇÃO E CULTURA
  • Elenco: Bruno Righi, Giovanna Maira, Manoel Lima, Paulo Palado, Sara Bentes, Sérgio Sá.
  • Atores standing: Neli Gamboa e Leonardo Santiago
  • Direção: Paulo Palado
  • Diretor musical e produção: Luiz Mel
  • Músicos: Jonas Dantas, Eric Budney, Marcell Ortiz, Yan Montenegro e Johnny Frateschi

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Evan Aires – ator pelo Incenna – Escola de Teatro e Televisão. Com carreira em artes, cinema e espetáculos. É sócio-diretor da empresa Entusiasmo Entretenimento, que pode ser visitada no site www.entusiasmoentretenimento.com.br

POR DENTRO DA MÍDIA, ARTE E ESSÊNCIA NA COMUNICAÇÃO, O ATOR EM CENA. Com EVAN AIRES é um espaço para você acompanhar uma vez todos os sentidos da vida com arte.

Que passa pelas ruas, casas teatrais e espaços culturais. São registros do

ator Evan Aires, sempre em cena.

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