ANGÚSTIA

É interessante como as coisas surgem em nossas vidas.  Comecei a me interessar por Søren Kierkegaard (1813-1855) há cerca de dez anos, quando estava vendo um filme onde uma personagem folheava um livro desse filósofo.  Mal sabia eu, naquela época, que esse grande pensador dinamarquês, morto há tanto tempo, seria importante para os meus estudos no futuro.
Kierkegaard é considerado o precursor do movimento conhecido como Existencialismo, que gira em torno de temas como a responsabilidade, a angústia, a liberdade e a própria existência humana.  A angústia foi um dos pontos importantes em sua obra: ele dizia que a verdade absoluta não pode ser vislumbrada pelo homem – e que, portanto, a pessoa toma decisões sem poder saber se fez a escolha certa.  Justamente porque o mundo apresenta infinitas possibilidades , infinitos caminhos, o homem sofre de angústia – um afeto sem objeto preciso e que, justamente por isso, causa grande desconforto.  No meu exemplar da obra Conceito de Angústia, encontro sublinhado: “A angústia é a vertigem da liberdade.”  Nem me lembro quando sublinhei isso, mas sublinharia novamente.
Ao contrário da liberdade presente no livre-arbítrio, que é abstrata, a angústia envolve uma liberdade concreta, a qual, segundo Kierkegaard, não pode ser estudada satisfatoriamente no campo da filosofia mas, sim, no da psicologia, pois esta estaria mais apta a descrever estados – e, sem dúvida, a angústia é um estado.  A psicologia fenomenológico-existencial, que me interessou bastante, levou esse estudo à frente.
A angústia é ligada à noção de escolha – que, como vimos, é feita sem que o indivíduo possa saber, de antemão, se tomou a decisão correta.  Todas as escolhas são incertas, e é impossível viver sem escolher, e este é o fantasma que assombra a liberdade inerente ao homem.  Kierkegaard acreditava que essa angústia poderia levar ao desespero – o que pode levar o indivíduo a abdicar da liberdade de escolha.  Isso conduz à existência inautêntica, ou seja: a pessoa sente-se tão perturbada e paralisada diante das escolhas que prefere fugir.
Fica aqui o meu pensamento: fugir de um problema pode ser útil por algum tempo, mas não podemos esquecer de que o problema continua a existir mesmo que não pensemos nele.
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                           Legenda: Søren Kierkegaard, desenhado por Niels 
                                                            Christian Kierkegaard
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