35 ANOS DE VIDA COM UMA PARTE NA FAVELA. FILHO DE POBRES. FORMAÇÃO NA ESCOLA PÚBLICA. HOJE O – BRASILEIRO NEGRO – ESTÁ GRADUADO E PERSISTEM OS PRECONCEITOS

Aos 35 anos sou homem com convicções e pensamentos bem definidos. Incluo o sexo, a religião, o gosto culinário, os prazeres da vida, a música, entre outros. A realidade pretérita, mesmo sendo dura, me permite olhar para trás e ver que um jovem morador de favela, pobre, filho de empregada doméstica e motorista de ônibus, negro, estudante de escola pública e esquecido por políticas públicas eficientes hoje escreve com o status de Geógrafo, pensador formado por instituição Federal conceituada mundialmente, a Universidade Federal Fluminense (UFF)

Aos 35 anos sou homem com convicções e pensamentos bem definidos. Incluo o sexo, a religião, o gosto culinário, os prazeres da vida, a música, entre outros. A realidade pretérita, mesmo sendo dura, me permite olhar para trás e ver que um jovem morador de favela, pobre, filho de empregada doméstica e motorista de ônibus, negro, estudante de escola pública e esquecido por políticas públicas eficientes hoje escreve com o status de Geógrafo, pensador formado por instituição Federal conceituada mundialmente, a Universidade Federal Fluminense (UFF)

Ao ser aprovado num concurso público me deparei com uma situação no ato da nomeação e com a condição de ser condição de informação obrigatória: “qual é a sua raça? ”. Respondi prontamente: humana. Não foi deboche! Aos 35 anos sou homem com convicções e pensamentos bem definidos. Incluo o sexo, a religião, o gosto culinário, os prazeres da vida, a música, entre outros. A realidade pretérita, mesmo sendo dura, me permite olhar para trás e ver que um jovem morador de favela, pobre, filho de empregada doméstica e motorista de ônibus, negro, estudante de escola pública e esquecido por políticas públicas eficientes hoje escreve com o status de Geógrafo, pensador formado por instituição Federal conceituada mundialmente, a Universidade Federal Fluminense (UFF). Sou servidor público e de órgão privado, com objetivos de vida conquistados. As vitórias, todavia, não me permitem vitimar mesmo após sofrido o “preconceito”, que é o ato da ignorância ao entrar numa loja ou restaurante, por exemplos.

Mas quantos na minha situação conseguiram ou conseguirão esse feito?

O Brasil é a nação mais negra fora da África. Aqui 51% da população pode se considerar negra, o que é um erro, pois o país inteiro pode ser definido negro. Prego isso em minhas aulas. Afirmo aos alunos que qualquer um de nós brasileiros podemos assumir e colocar no perfil: negão ou neguinho, como acharem melhor. Outro exemplo, com dimensão cultural e reconhecimento até internacional temos o poeta Vinícius de Morais, que em outubro deste ano completaria 100 anos de vida. Ele intensamente dizia: eu sou o preto mais branco do Brasil

Muitas mazelas realmente ficaram e sobrevivem em nossa sociedade e essas, na falta da luz do conhecimento, lançam obstáculos maldosos que impedem uma convivência civilizada e igual entre os “diferentes”. O mundo inteiro enxerga nas cidades brasileiras a riquíssima negritude do carnaval, com suas poesias, belezas e ritmo indiscutíveis. O futebol de Pelé, Ronaldo, Garrincha, entre outros, com os lances incríveis e memoráveis estão pelo mundo. Mas para nascerem os passes de craques negros somente foi possível, na trajetória do esporte da arte com a bola, após clubes, como o carioca Vasco da Gama aceitar a negritude em seus elencos, por volta da década de 20. E, toda herança preconceituosa histórica só começou a ser destruída através do livro “Casa grande e Senzala” do sociólogo Gilberto Freyre. Esse ícone analisa as raças e as culturas que formaram o homem brasileiro e fora escrito no século passado embora prevaleça atualmente.

O negro é grande construtor da cultura, das riquezas e do pensamento brasileiro e embora sejam muitas as estatísticas demonstrando esse fato, é inegável que os jovens negros morrem mais e tem mais dificuldades de acesso, inclusive às escolas de qualidade. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou, inclusive, que o negro recebe  menos em comparação aos brancos, mesmo que em igualdade de condições. Essa diferença é explicada pela discrepância de formação educacional. A quantidade de negros com nível superior de escolaridade é a metade do quantitativo de mão de obra não negra. Como forma de comemorar a mudança dos pensamentos vigentes em nossa sociedade vale citar o amigo de profissão, respeitado negro e do qual o Brasil inteiro se orgulha, que é o Milton Santos, que sabiamente nos deixou como herança o raciocínio do qual nunca abro mão de citar:

 “ Sou baiano, venho de uma família de professores do lado materno, meu avô e minha avó eram professores primários, mesmo antes da abolição. Do lado paterno, devem ter sido escravos, não sei muito bem, porque em minha casa me ensinaram a olhar mais para a frente do que para trás. Meu pai também acabou sendo professor primário, de modo que nasci numa família que antes da criação do que se chama hoje classe média, era uma família remediada, humilde mas não pobre, e que tentou me dar uma educação para mandar, para ser um homem que pudesse, dentro da sociedade existente na Bahia, conversar com todo mundo.” 

Não devemos esperar mudanças sociais vindas da elite. Somente da parte segregada da sociedade nascerá a revolução para mudança do estabelecido. Para quem está por cima tudo está bom, porém para os pretinhos…. Viva o dia da

Consciência mutante brasileira !

 

Clique para ler mais sobre os pensamentos de Milton Santos

http://www.controversia.com.br/index.php?act=textos&id=521

Milton Almeida dos Santos foi um geógrafo brasileiro. Apesar de ter se graduado em Direito, Milton destacou-se por seus trabalhos em diversas áreas da geografia, em especial nos estudos de urbanização do Terceiro Mundo. Faleceu em 24 de junho de 2001.

Cleber Gonçalves Pacheco

Geógrafo, Professor da rede pública estadual e particular do Estado do Rio de Janeiro. É colaborador de conteúdo no

www.pordentrodamidia.com.br

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Cleber Gonçalves Pacheco. Geógrafo, Professor da rede pública estadual e particular do Estado do Rio de Janeiro

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